Esta
relação de ensaios foi possível graças a relações
existentes entre alguns dos ensaístas. São quase todos estudantes
de pós-graduação, e quase todos nos USA. Pretendia-se
obter alguma frescura de perspectivas sobre a poesia de João Miguel
Fernandes Jorge, um dos poetas mais importantes das poéticas dos
anos setenta, sem cair na ingenuidade de pensar que a econtraríamos
no exterior da academia. A propósito,
JMM não é Joaquim Manuel Magalhães.
De um modo
geral, foram postos a escolha alguns poemas. A obra, muito vasta, tem de
resto por onde escolher. A regra, não completamente respeitada, era
a de que a cada um dos ensaístas correspondesse um poema e apenas
um só. Estimada draconiana justamente por alguns dos que, envolvidos
em trabalhos próprios, não queríamos sobrecarregar,
foi ultrapassada aqui e ali; e, sinal dos tempos, a análise, que
se pretendia em princípio orientada pelo close reading (e
daí um poema a cada autor), sem deixar de o ser completamente, apareceu-nos
substanciada por princípios provenientes (enfim…) de todas
as «escolas do ressentimento» (Bloom). Achámos surpreendente
o facto, como também nos custa a crer o que nos informou um dos ensaístas
— que na academia norte-americana não existia já Estudos
Literários, substituídos em cursos, doutoramentos e publicações
por Estudos Culturais.
Durante
o mês de Novembro de 1999, e parte de Dezembro, os autores fizeram
as suas leituras e trocaram entre si coisas tão vagas como impressões
e opiniões, e ainda mais vagas como princípios e teorias.
Daqui talvez (e não apenas da formação) provirá
alguma heterogeneidade dos instrumentos e modos de análise, detectável
em quase todos os textos. Essa heterogeneidade acentua-se com a presença,
por vezes o intrometimento, de alguns efeitos de tradução
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tanto quanto julg0, em alguns casos criativa.
Alguns poemas
foram traduzidos, nunca se ultrapassando aliás a provisoriedade das
veersões. Depois, lançaram-se os autores ao trabalho. Em breve
começaram a chegar-nos estes pequenos ensaios que aqui se dispõem
sem outra ordem que não seja a da chegada às nossas mãos.
O organizador pouco mais fez do que formatá-los para edição
e propor a tradução dos que não foram escritos directamente
em português a dois dos autores envolvidos no projecto. A todos os
nossos agradecimentos, extensivos às Irmandades da Fala de Galiza
e Portugual, o único editor que se mostrou disponível. Os
leitores portugueses de peosia, cada vez mais escassos, descansando nós
decerto em sermos um país de poetas, encontrarão nestas «Actas»
um conjunto de leituras que revelam uma atenção séria
e apreciavelmente qualificada à poesia de Fernandes Jorge.
— António do Fundão Ruas, Viseu, 25 de Abril de 2000.