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  parece que afinal a máquina filológica, com a sua produção de heterogeneidades irredutíveis e de conexões aleatórias, é apenas um meio, uma astúcia, dizia-se em tempos mais dialécticos, para a criação de um mundo ficcional que pretende o mesmo estatuto de texto-origem que o processo maquínico tornou irrelevante.
 
 


Gauguin Desapareceu e Monet &c.

uma parte importante do mundo urbano dos nossos dias: mutante e contudo ainda enquistado em velhos comportamentos e estereótipos; emancipatório, mas com heróis por vezes inesperados; trágico e sem saída metafísica à vista, e todavia capaz de rir de si próprio e de viver a calma insignificância que a vida também comporta.

Por isso estes romances, de algum modo, são obituários antecipados daquela parte do mundo que corre para o desatre, com o fascínio e o terror de um destino sem o fardo do imprevísivel futuro. Um desastre que não é romântico nem apocalíptico, apenas o reverso seco de uma época que só na aparência se revê num imaginário de abundância. Desastre aqui cumprido de olhos bem abertos, e que por isso mesmo se torna conhecimento do desastre. Aí onde falta o pensamento, o romance reflexão faz pensar.