uma rua com joelhos
Esses vultos numa rua morta,
chamemos-lhes tílias, hão-de ter alguma moral
da noite para o dia, pois
precedem alguma beleza e são a beleza que se segue
ao eclipse que as traz do dia para a noite. Alguma
coisa revive nos seus joelhos, quando
são a cilada e a delonga, a moratória e o mata-boi
que acolitam a oficina,
e esta vindo no em-redor
e imprópria em si, como uma caricatura sacra.
Os vultos sejam tílias numa especiação doida
e não apenas árvores, o verso perro
e esquecidolembrado de uns pés de rima.
Tílias na rua, pro
curadas very much like um nariz rubente,
rufo, puníceo na cara da virgem
Maria,
sejam; e como entalham
na manufactura a sua figura alegórica.
Esses seus ramos tão vagar
e ossos são a noite
como são os lenços
da plenitude indecisa.
Tornam, encrespam, ciciam
do branco os rostos rasgados, logo umas luas
de negra-molhada circunspecção e o olhar riscado
onde se abre,
ao dentro
do sossego
de um evento,
a beleza que morre
como uma luva esticada.
Numas ilhas guardadas por choupos grandes,
como dissolvidos, e dissol
vido o negro ao sob sombra das avenidas,
ata as cordas de uma figura e torce o flanco
até à leveza oca do focinho,
ao modo perfurado que assobia domingo.
Tílias a noite, e estas alguma vantagem
social sublimada, bondade que nada
em dinheiro, promiscuidade
verdadeira e bulício, e a tumba plural
sobre um corpo aci
dentado, que roda os deveres no silêncio,
revoluta sobre um
ajustamento virtual
o terceiro da sombra,
anamnese inclinada.
Aquelas são as massas
circunstanciais, a orfandade do mundo.
E com elas as figuras
femininas do proletariado
apressando-se numa nuvem de sépia,
o lenço entre o chapéu e o colete,
vêm de um fundo de afectos com grão e legenda,
ajoujadas
pelo silêncio, rapariguinhas
prendendo a roupa que não despem,
como tu comigo,
pelos cantos.
Toda a carne fica pois para parede,
e, selados os lábios, sepulcro de um
sepulcro. Nem a lente da câmara lê a
miopia fantástica da pedra onde o dedo
passa, passado, do exilado num poço
de mundo, num poço sem
mundo, ele também
o homem invisível, atropelado sem ênfase
pelo espaço e por dentro das mesmas ligaduras.
E, no entanto, havia uma escada
num ovo, um corpo adiante,
o tempo amarrado da tília
que balança ao alto, gente que desce
e sobe até às sobrelojas, uma infância
mais rápida que a negação, suspensa
como uma pedra, um rasgão,
sobre o mar das escórias.
Eu fodi uma mulher a dias.
Na fábrica, num sábado de manhã.
Lavava-se, depois
do serviço feito, sobre o bidé,
os lombos divididos pelo entrançado das vértebras
que continham a massa enxuta das cócoras.