Ramo De Lobos
A cerveja dá à face uma cor amável
e engorda um pouco.
Stª Hildegarda de Bingen
Veja vem vindo
a mania
que enche de fumo umas cabeças de prata.
Guiness e Heinecken,
Pilsen e Artois,
Bass, Buch e Carlsberg.
O cacto grande da lua
abana as orelhas palha.
Pêssego, telha, topázio,
fulva, morena, caramelo
de tetas e coxas.A imaginação do comércio
é muito criatural, e, ainda quando as shopes
e os bares são já minimal art,
Che Guevara é na parede
o retrato alérgico da posteridade.
E no corredor da substituição profana,
abre-se a mão,
espalmada, a mão sobre a coxa,
anel e tecido sem memória, a que
convém o nome dos animados.
Desejo e atenção do ultra-rapaz,
mercadoria usurpada por uns signos.
Então, dirias que
nasce uma verdadeira multidão
do casamento do homem e da matéria,
e há na carne o ecrã
da sublimação automática.
Magra e muito ciosa da fome,
ela vai falar como entorna
o rosa e o sombra sobre o meu prato,
e vejo uma gota de água
que lhe cai do céu da boca.
Os monstros tristes, as borboletas
na lona da indústria levam-nos acasalados
de roda e é opinião pública
a fome que destila um gota de desejo
e o meu desejo pontudo dessoutra fome.
Keffir, cerveja de banana,
bebidas perfumadas
de rícino, cássia e pimento,
tsiu, chicha
e aca, sikaru. Sopa.
Eles dão-nos a beber os seus mortos,
pito de sorgo, kwaz e sakê,
com umas faces e uns desaforos
junto ao rio que fumega.
No canto mais negro do muro
está já o dorso de uma foda.
Abana a corcunda blasfema
entre os calcários votivos,
os da pequena peça, os do moinho,
de pé sobre a fornalha marcada.
Carrancas, demónios e pórticos
nas etiquetas, o copo simples
e barrigudo, cornos e cornucópias,
flautas.
(Grés, cristal, terra, madeira.
Os excrementos).
Você nesta cidade vê a loja
imune, que se faz vazia e azul
como um poema de outras eras outras
e celebra no vago a mercancia.