Plairait Pas À La Famille

Quando se passa um feriado de Verão
nas praças da cidade sob os silos
o belo tem sombra e o dia é um arroio.
A cidade irmã dos pensamentos,
a oblíqua eternidade, os carros amortalhados
nas praças sob os fornos e sob os tubos
e vivo de obsequiar as imagens.

Moços e geógrafos, porque há ruas,
são borboletas astrais, errantes e segredinhos,
vão no fumo, e na terra negra
fazem, como vão, com o desperdício e a limalha
e com o rio
recuado uma alma que ainda
não partiu, um subúrbio em serpentina.

Só o filho da mulher
pode esperar numa lixeira, a contratempo,
ser pó, pó, pó,
ser pobre e ser pó. Esperar
no tempo que abocanha, ter um corpo
ido e uma presença em contrabaixo
-- e deste lado do declive, saciado
do tempo
que prospera sem que aconteça, re
mexendo no lixo.

Passa uma nuvem e passam gansos
órfãos e furibundos entre
a equanimidade das coisas de que dispõem as ruas
sobre rasgando a pobreza do ser.
Canta o vapor ao longe
a modorra nocturna do rapaz
com casa e rapariga, com o melro.
Canta o rapaz empoleirado na árvore
da chuva
o subúrbio à deriva: «vou privar
com o pão e o refúgio,

coitado do dormente que assim jaz,
e faz tanto e tanto faz.»
A entre-muros olhado para fora das janelas,
desensinado a ser e azul leve,
negro na terra dos vizinhos
e sem fundo na casa antípoda,
aprende no tédio arrepiado, e quase ao lado cego
do vento quente no jardim,
que tempo e tédio são alheios, e tão
de fora como as cócegas quando chegam.

Esta vila não está completa
com suas casas térreas repetidas
às ruas dos nomes grandes da química.