O Poço Do Inverno

Vagam sentados os moços,
e as moças sentadas, que de algum lugar
vêm às escadas, elas o envés
deles e eles o delas, na harmonia
de calão e facúndia que puxa por cordéis
uma verdade, uma mentira longínqua.

Habituados a figuras grandes (e figuras
de estilo), tricotam impertinentes
sob o olhar composto de umas pedras polidas
que levam em piedade a ciência
no campus, e a fantasia ao colo, e humanísticas.

No verde estão onde
são olhados, e na pedra tersa,
e namoriscam o presente absoluto
que o jargão promete; falam por
locução de continuidade, espetam
que espetam nos nomes bandeirinhas.

Disse consigo, e já em verso
quase, e como se recorresse a construções
auxiliares, o prof à procura de sujeito e
assunto, enquanto vai passando
por aquelas impugnações estatísticas. Logo
de caminho risca o forro da mente
com o dedo reitor.

Como um poço, uma torneira,
somos a forma do infeliz.
Sentados nos degraus, com as belas,
ao lado das casas amortalhadas
para o trabalho.
Acordámos já nascidos e assentados
a sestro numa silha.

Como cães que olham o mundo
a pastel, generalizamos uns nomes
de ser. Ou são as gerações porém
o símbolo enfático na relva
maculada, algures
no mundo transparente.

Não somos ouvidos,
somos membros
e a que todo obedecemos e de que lado da mesa?
Vida, enfiada como uma sangria,
céu sem memória,
debaixo dela nos agachamos com a esperança.
Um dia misturo o trabalho com as coisas.

Tocam nunca as almas
as farripas da cortina, as ramagens
dos vestidos, os corpos manchados
no vapor que sai
de um poço do inverno.

Repousa a multidão nómada
da pobreza embruxada, estes
falam de si,
arrastam o vento, concedem
decerto a paz à filosofia.

Não muito alegre
do seu fado crítico, como quem outra vez
usurpa para a «pousia» silêncio e falas,
ao ver a juventude estudantil,
disse in imo ao serviço do estado.
Subia à cova dos ladrões, armas
o pano mai-la tesoura.

A arca musgosa, ao lado dos lagartos
e do acónito, dormente de areias
benignas, o que é? Um girassol lunar
pode ser a sua quantidade adormecida.