O Coral Do Caruncho

Sorriem caras com malícia e pena
e distraidamente são o reverso
da corrupção da boca.

Eu já chegara aqui, aligeirado
do amor que nunca sabe olhar atrás
a corte do caruncho.

Vira a cidade atrás de uma cancela,
na orla de azulejo o harmónio cego
e o olho sem cortinas.

Repare nos trabalhos amadores:
ao Paço, era só ela quem bebia
com gente de ocasião.

Na portinhola verde desta sé
arreara a mochila da pobreza
a querida jumentinha.

Dispara a veemência morena e
tosca, quando as mulheres do passado
— nove em dez infodíveis —

são uma carne triste e pormenores,
e, em cinzento e silêncio iguais, são as
hérnias do cerebelo.

Mortos criados de outros mortos, pro
criados, já pedem censo e contagem
e uma vasectomia.

A mão axadrezada, essa aconselha
o anexim e a charada, e o banho, e a que
meta no saco os livros.

Veja-nos já sentados como sombras,
a sermos jovens e a termos sido
sobre o calcário liso.

Lá, comemos da morte peganhenta,
aqui sentados ouve-se o luzente
atrás da pedra falsa.

Este sou eu sem óculos e amado
e desejo ao pedido acrescentando
com a vida sem cara.

São neutras as bonecas na vitrina
com tamanho de gente desvendado
sob a lua de vidro.

Fortuitas essas ruas envasadas
na fenda madrugada onde termina
o chão desavistado.

Eu viera de coimbra que é um campus
e nunca vira tal comércio como
na braga desses ídolos.

Pois vem logo a faca em nome do esforço,
albergam-nos já como a suplementos
de alguma noite, a sós com tectos altos,

e de manhã partimos.

Quando se passa um feriado de Verão
nas praças da cidade sob os silos
o belo tem sombra e o dia é um arroio.
A cidade irmã dos pensamentos,
a oblíqua eternidade, os carros amortalhados
nas praças sob os fornos e sob os tubos
e vivo de obsequiar as imagens.