FUNERÁRIA BRACARENSE

Você nesta cidade vê a loja
imune, que se faz vazia e azul
como um poema de outras eras outras
e celebra no vago a mercancia.

O que salta do exílio cruel vive
numa vida privada, como a giz,
extremamente cívica e imovível.
Ah! o azur, na porta a campainha.
Chamá-lo-emos para os nossos mortos?

E um morto os abençoa, que dirias
interdito, e interdito essa bondade
interpõe, espalmada frente à barba
ou a estende como um guardanapo
urbi & orbi.

A loja imensa, apenas antecâmara.
Plantas de interior, nenhum caixão.
E o proprietário das ilusões,
também ele sumiu, como um coelho.

Aquele Cristo fica, ou beatifica
a sua mesma imagem, deixado
a essa engenhosíssima vizinhança
que apenas de existir nos felicita.

Na furna cheirosa,
esse forro do útero com balcões altos
impraticáveis sobre o cineminha.