Bauhaus

Esta vila não está completa
com suas casas térreas repetidas
às ruas dos nomes grandes da química.

Já não estão moradas dos migrantes
como ao longe os burgueses são morgados:
estas que querem ser

a vizinhança da boa hora, aquelas
a feliz superfície, a perspectiva,
onde mora o acaso, aqui e ali.

Ali a casa rasa, a paramécia,
aqui riscada azul que é der Bau.
Por em cima a tectura involuntária

dos tectos emigrados duma história,
e depois o deleixo secreto dos
pátios subitamente descampados.

Ruas do inabitável que parecem
propriedade privada,
e são frontões deitados da doutrina.

Alguém vive entre tábuas à espera
que o recolham e informa que em tal dia
o roubaram da criação que tem.

De olhos longe à verdade,
o módulo da casa e da heráldica.
Sobre tudo põe o olho uma rasura.

Agora é no universo que eles vivem,
pouparam no reboco suas ruas
consigo, e do prazer fazem pesares.

Agora tomem conta do solo os
apressados que cortam pela sombra
até à lama sôfrega do rio.

No subúrbio do alto, o sol mirando
a cidade no presente etnográfico
que o seu formoso amor lhe adormentara.

Pois eis aí a arte do oco
em pensamentos de especulação.
Que sim, anéis e folhas são azuis.

É novo esse cartaz com choro e obreia
as vossas lágrimas que as enxugueis,
agora os dias tomam o lugar.