A Morte Segue O Circo

No alfarrabista, sim, à porta bronca,
pedindo comigo o céu perene,
a morte segue o circo; e redimido
por quê o mundo? pela sujidade.

Vi como era agredida uma mulher
impávida, agarrada no cabelo
por um homem sem rosto, a outra mão
ao de leve, guiada com o fósforo

na imagem que conhece o seu olvido
do dorso da mão dele à palma dela.
Tão generosa a coxa além da liga.
E esta trazida à capa, platinada,

com mordaça na boca? A fotografia
foi retocada com azul e rosa,
e, se anuncia ao longe eu vê-la, não
pode fazer que sofre.

E a morena reclinada e corpo lenta,
também num filme de cinquenta e três,
disponível e só, paramentada,
e outras grandes novelas de mistério.

Se o comprador pergunta, outra na cama,
vendível aos menores de dezoito,
perfeitamente imprópria e pintada,
a blusa descomposta sobre o seio.

Mas tem também mulher moderna, tem
Audrey, desinibida em baby doll
e cabelo à garçonne, muito nua,
sentada num caixote a perna toda

e a cara no joelho.


Preza muito os subsídios ao cinema,
pouco se lhe dá,
grã culpa ou pequena,
o deus crepuscular olhando nelas
o sinal de impedido.

E o dono da lojinha:
Muita leitura por pouco dinheiro.

Sorriem caras com malícia e pena
e distraidamente são o reverso
da corrupção da boca.