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I

O Camões de Garrett (1825) abre com a invocação da Saudade. Com a celebrada colecção de oxímoros surgem as primeiras designações geo-étnicas. São uns usos poéticos, que o neo-clássico recomenda. Podem ser perífrases, metonímias ou sinédoques — se metáforas, vigiadas —, que referem no território da «raça» a anterioridade originária da comunidade política que o habitará (Sena, Tejo, Thamesis, Britânia, Sicambros…). As nações, dir-se-ia, começam por ser produtos da terra que é a mãe dos necessários.
No caso, tais usos definem a nação como uma unidade étnica de base, recoberta por um Geist cultural característico:


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Mavioso
nome que tão meigo soas
Nos lusitanos lábios, não sabido
Das orgulhosas bocas dos sicambros
Destas alheias terras (…)
Garrett, 2000:2, meus sublinhados 1


O Camões toma para seu assunto a «cultura» e é um acto de «cultura»2. Considerada pelo ethnos e pelo «solo pátrio», referida à independência política como a uma necessidade, a «nação» aparece já aqui como o objecto privilegiado deste discurso da «cultura» que a revê poeticamente pelo doce pungir do acerbo espinho. O espinho pungente, objectivado ou alegorizado como númen, estaria na origem das excelências lusitanas do tipo de Os Lusíadas (e, como veremos, é o nome resumitivo de uma disposição «sentimental» dos leitores modernos que os leva a re-produzir — a compreender — tais excelências). Tudo em Camões passa pelos termos de um «normativo», a um tempo próprio do «capitalismo de imprensa» e do «nacionalismo moderno», segundo a qual o «solo pátrio», como «comunidade imaginária3», se substitui às solidariedades declinantes do Ancien Régime, articulando estreitamente faternidade, poder e tempo. Anderson, 19912 No Camões, contudo, acontece que se desemboca, após um acto de revisão, no deslocamento para o passado de poder, fraternidade e tempo, que são a própria nação ou o próprio dela. No presente, nem tempo, nem fraternidade, nem poder. Nem independência, nem memória. O ethnos apenas, e a saudade na qual se exprime. Muito especificamente, o Camões dir-nos-á que uma entidade política chamada a uma existência moderna como nação é obrigada a definir-se como poder (e poder de Império); não o podendo fazer, remeter-se-á a subrogados tão conhecidos como a saudade étnica ou a «língua imperial».
Abruptamente, e fazendo momentaneamente coincidir passado e presente, por mediação de uma interpelação, neste ponto impossível de decidir se dirigindo-se ainda à Saudade ou já ao leitor, apresenta-nos o Camões o primeiro quadro da sua narrativa.

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Ouves? Rija celeuma aos ares sobe
E fere os ventos que nas ondas folgam.
— «Terra, terra!» bradou gajeiro alerta.
— «Terra!» ecoa confusa vozearia
Da marítima turba: Oh! voz querida,
Doce aurora de gozo e de esperança
Ao coração do nauta enfraquecido.
id.: 4


É afinal Camões, não Garrett, quem chega, e da Índia. O narrador saudoso destaca-o de todos. Nos rostos destes «debuxada / se vê pulando a mágica alegria»; aquele «quase insensível jaz». id.: 6 Gesto senhoril, anuviado pela melancolia, e denotando a «cordura ousada» de quem ao perigo não foge e não cometera jamais um feito indigno ou vil; cicatriz que apagou um dos olhos que o lume do engenho ateou — tais são os traços destacados do «gentil guerreiro»4. Mais interessante é porventura o contorno de um espaço de intimidade que absorve um Camões reconhecível pelo ícone, posto seja acomodado ao topos do desconhecido que acumula traços de excepção, e se exprime numa fala surpreendida como «eco do interno pensamento». O acesso a este espaço, como um análogo daquele em que o pensamento fala ao coração, é tanto um privilégio do leitor como uma competência que se é obrigado a atribuir-lhe.


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— «Pátria» disse
Em voz tão baixa, que a tomaras antes
Pelos ecos do interno pensamento
Falando ao coração sem vir aos lábios,
«Pátria, alfim torno a ver-te»
id.: 6


Adiante-se que o delineamento da intimidade acedida, a confusão de planos diegéticos e discursivos, imitatio uitæ e imitação do texto, extensões da exemplaridade, em conjunto parecem facilitar a posse do leitor sobre o texto a ler. Noutra perspectiva, focar-se-ia o poder canónico do texto de base — e depois do texto tout court: faz 'Garrett' como 'Camões', o 'leitor' faz (como) 'Camões', e vemos o próprio 'Camões' a fazer (como) 'Camões'. O texto daria origem não já a leituras mas a algo de semelhante a «comportamentos».
Não importa tanto considerar a actividade de um leitor que esforçadamente preencheria os gaps textuais e restituiria o texto à sua coerência profunda (assuntos e fabulæ em sua hierarquização devida, de resto simples), quanto a colocação de um leitor nesse espaço genérico como código ou programa do poema, e já da Poesia — como lugar «burguês» da sua produção, e como estabilidade cultivada da sua interpretação, cf. Kittler 1990 a que não são alheios os processos mais conspícuos da chamada (nas academias anglo-norte-americanas) «literatura da sensibilidade». Assim Garrett que lê Camões, que escreve Camões com Os Lusíadas, e que vimos confundir-se com o vates; assim a revisão biográfica que 'Camões' empreenderá da sua epopeia; assim a posse antecipada do texto pelos topoi do segredo e do incógnito (mas também das lágrimas) — e assim todos os passos em que quer o texto de 'Camões', quer o de Garrett, e à sua imagem, se sugere falado pelo leitor entre o «interno pensamento» e o «coração»5.
Uma altercação entre o herói e o «torvo mestre» que «dessa fazenda» como Jau6 não quer levar a terra, por um lado está na origem de uma reflexão «rousseauísta» e, por outro lado, permite a intervenção de um «anjo de paz» que verte o «mel suave / da branda persuasão» sobre as «azedas iras». Eis a reflexão, que isola a poesia do mundo para a configurar como intimidade da leitura, «espaço» onde «o primeiro impulso» se restituiria à sua natural imediatidade de origem, por isso que é re-conhecível (natureza e natureza humana):

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Do homem, que é mau do berço à sepultura,
Uma só coisa à natureza deixam
Os hábitos ruins que não pervertam:
Do coração é o primeiro impulso.
O gesto aflito do Índio suplicante
Dos remeiros contrai as mãos calosas,
E involuntária a compaixão se pinta
No parecer de todos. — Mas não tarda
A sufocar a débil voz do instinto
O que chamaram reflexão no mundo;
Melhor dirias reacção dos hábitos
Que um instante vergou a natureza.
id.: 8-9


O «anjo de paz» é um religioso que a Providência destina para confidente de Camões. Fora conquistador com Cortez; expia em «pardo burel» os crimes de então. id.: 17
Inicia-se por este passo um complicado movimento textual, a que, correndo o risco de o sobrecarregar de sentido, cabe ainda o nome de revisão. A intervenção do religioso continua a caracterização de Camões. Camões continua a ser transposto para uma forma mista — é o cavaleiro e o burguês —, como se a segunda identidade fosse herdeira da primeira. Assim, a sua delineação como forma de leitura (da insociabilidade aparente e da excepcionalidade patente, ambas românticas, à interioridade) aceita a noção de «cordura ousada», deixando-se a espada relevar finalmente pelas letras, e de tal modo que no ícone a cicatriz parece ser já um sinal delas: «Desses olhos que a luz ateou do engenho, / Quem uma das luzes apagou?» id.: 6, eu sublinho. Os valores da paz, persuasivamente introduzidos pelo futuro confidente, afirmam essa herança; e a renúncia ao duelo repetir-se-á adiante entre o herói e o seu rival, numa parada de abnegação que conduz ao reconhecimento mútuo7. Em geral, o cavaleiresco é forçado à sinonímia com «sensatez» e «boa vontade». Finalmente, e entre outros exempla, refiram-se a caracterização encomiástica de D. João II como «rei constitucional» id.: 96-7 a as posições de D. Aleixo, armado de «honrada singeleza» id.: 73, enquanto conselheiro do iludido e belicoso D. Sebastião8. Neste processo, o juízo mitigado de barbárie, de quando em vez emitido sobre o Luso contemporâneo de Camões, marca uma mediação: compreende como seu o passado — assimila-o como seu —, tornando-o literário. Com efeito, esta consequência estética da revolução vintista (assim avalia José-Augusto França o Camões) faz-nos assistir ao nascimento da literatura moderna «romântica» e «burguesa». A «literatura burguesa» revê como matéria sua o prestígio «político» e «humano» que a pode promover: o cavaleiresco, o sagrado de que se afiança familiar (convento, sepulcro e eternidade), a profundidade do sentimento (exemplificável no amor que permanece para além do túmulo) e o grandioso sublime em geral, todavia contíguo do lar e do melodrama, seja este o horror da descida de Natércia ao sepulcro e do herói após ela, seja o bíblico do Livro de Job parafraseado, seja a Natureza desmedida e nocturna, ou finalmente a renúncia dos rivais à inimizada e as lágrimas de Jau… Mas a continuidade entre religião e literatura, e entre os valores «cavaleirescos» e a mesma «literatura», expande-se ainda não apenas pelas tópicas e figuras que tornam equivalentes «burguês» e «humano» (não é apenas a mútua consistência do convento, do palácio e da natureza); propõe também a revisão civilista do próprio Amor, transplantando ab initio as matérias do «melodrama» para a esfera política. Após uma visão, 'Camões' irá realizar o seu amor humano como amor da pátria, servindo-a na Índia e escrevendo Os Lusíadas; e esta viabilização literária, em espaço e com figuras do sagrado, é independentemente confirmada por Natércia, anjo de quem outro anjo é confidente. Cito primeiro da visão vocacional de 'Camões', e, em seguida, da carta de Natércia, tão falada, posto empiricamente escrita, que iguala as declamações de Madalenas e Marias no Frei Luís de Sousa.9

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(…) Viva chama,
Como luz de carbúnculo, brilhava
Na víscera pantente [o coração]; e em radiosas
Letras lhe soletrei: Amor e Pátria.
id.: 42

Sai a frota amanhã; vai alistar-te.
Campo no oriente a grandes feitos se abre.
Volta com nome tal que tudo vença
(……………………………………………………)
E o anjo assim me disse. E mais, que um dia
Tamanho se fará teu nome e glória,
Que encha o universo.
id.: 50


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II

Central no Camões é certamente a revisão de Os Lusíadas. A viagem do herói, pelo próprio contada, repete a do «grande Vasco» em forma e em substância: «Próspero o vento foi. Por esses mares / Que humana geração jamais abrira, / Seguindo fomos o atrevido estreito / do grande Vasco». id.: 51 Entretanto, assiste-se a uma transformação geral do histórico (do narrativo) em geo-gráfico: algo afim de uma globalização,10 raramente entrecortada por episódios, avultando neste caso a reiteração, em instância biografista, do do Adamastor, de resto concordante com o tópico do dar novos mundos ao mundo: «— Ó gente ousada, / Mais que tantas no mundo hão cometido / Empresas grandes (…) / De tão longe / Vindes quebrar meus términos vedados», etc. id.: 53 e ss.
Desterrado da «cidade de Albuquerque» pela crítica cívica do «descaimento» e da «baixeza» em que a teria encontrado, vagueia o vate de terra em terra, arriba à gruta solitária de Macau — ocasião de um aflorar da «religião natural»11 —, para receber a inspiração de Os Lusíadas, que, de seguida, como se sabe, salvará a nado.
A leitura da epopeia propriamente dita dá origem à paráfrase do texto camoniano, que ocupa dois cantos (Sétimo e Oitavo), entremeada de citações literais, que, quanto mais extensas, obrigam o texto de origem a conformar-se à ausência de «consoante», típica do texto de chegada:

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«—Dai-me — com voz mais elevada clama —
Dai-me uma fúria sonorosa e grande,
E não de agreste avena ou ruda frauta,
Mas de tuba canora e belicosa
Que o peito acende, e a cor ao gesto muda,
Um canto igual a meu erguido assunto,
Se tão sublime preço cabe em verso.»
id.: 85

A intercessão de Vénus é parafraseada, com citação ocasional, e expandida id.: 86-8 e mais expandido ainda é o episódio da «linda Inês», esse epítome da sensibilidade, universalmente admirado:

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As nações do universo, que escutaram
As endechas do vate, as vão cantando;
E do bárbaro Neva ao culto Sena,
Desde o Tamesis frio ao Pado ardente
Os lamentos de Ignês repete a lira.
id.: 90 12

O canto Nono é reservado ao reconhecimento prometido pelo monarca, às solidões de Sintra — «Ali no mais solene das ruínas / E no mais alto (…)» id.: 107 — e ao encontro aí marcado pelo conde a 'Camões'. O Canto Décimo é reservado às intrigas dos «bonzos»13, que levam ao esquecimento de Camões, a Jau pedindo esmola para seu amo e amigo, e à morte do herói com a pátria.

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III


O Camões garrettiano pode, portanto, ser genericamente apreciado como um acto de «cultura» — um acto de reflexão, suturador do lapso temporal (e não apenas) que aliena a sociedade da sua «origem» unânime e irreflectida como comunidade nacional Hartman, 1997: 8 Numa linguagem especial — precisamente a do verso neoclássico que teria assinalado a redução da poesia a uma «deidade menor» id.: 3 —, o texto dedica-se a reparar uma ausência de «memória», que, de resto, não hesita em nos apresentar como irreparável. Camões conclui, com efeito, deste modo:

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Lira da minha pátria onde hei cantado
O lusitano — envilecido — nome,
Antes que nesse escolho, em pátria estranha,
Quebrada te abandone, este só brado
Alevanta final e derradeiro:
Nem o humilde lugar onde repoisam
As cinzas de Camões, conhece o Luso.
id.: 125

O Luso que desconhece a sepultura de Camões é certamente o Luso que se desconhece como Luso. Dir-se-ia que existe enquanto tal numa unanimidade irreflectida que lhe não é culturalmente restituída, mas tão-só reconhecida pelo falhanço de cultura assinalado pelo escolho onde se quebra a lira que as mãos do exilado ergueram uma vez derradeira. O canto da cultura desemboca num brado último.
O canto do cisne não devolve ao Luso, como imediatidade original, a sua ordenação a um colectivo nação. O Luso seria uma história insusceptível já de sublimação na contemporaneidade de uma cultura — nas razões, crenças e imagens, que, provindas do passado, orientassem o seu viver colectivo. O Luso, que transformou o globo terrestre numa geo-grafia14, é engolido portanto por esse lugar não assinalado que é o sepulcro de Camões. Cultura e objecto das suas operações desaparecem na fronteira geográfica e politicamente inomeável, representada ou pela praia ou pelo sepulcro. Em rigor, não há tal derradeiro — de 'Camões' e do seu «brado» —, que correspondesse a uma vontade de início. 'Camões' prossegue em Camões, e nele continuam ainda Os Lusíadas; e não é seguro que seja este «brado» o poder de tais mortos. «Ou 'Camões' ou 'o Luso que matou 'Camões' até à memória de 'Camões'» não é uma alternativa real, nem sequer pela vergonha. Tudo continua 'Luso' e 'Camões'. Em todo o caso, a operação cultural realiza-se não obstante; no fim, reconhece-se a ausência de um destinatário capaz, mas até aí muito presente; e a operação vai bastante a direito e muito pouco embaraçada. Suspeita a gente que a grandeza de Camões justifica que todo o globo seja a pedra onde se inscreve o epitáfio da nação lusitana. E todavia assoma por aqui um «mapa» paradoxal tal que Os Lusíadas são a sepultura monumental onde jaz o Luso — e que o Luso, pois está «envilecido» como quem diga «morto», é a sepulcro vazio de Camões. Que de perspectivas se abrem quanto ao que de repetição — de, vale dizer, má colocação originária — vai por aqui: Os Lusíadas são o enlace do Luso e de Camões, mimetizado por outros enlaces que o re-produzem, e entre esses este de que me ocupo, e que diz respeito ao Camões e ao seu autor Garrett…
A literatura nacional que como reflexão cultural Camões inaugura com a D. Branca passa pela construção de um cânone, ou, logo, da centralidade de Camões e de Os Lusíadas nesse cânone. E essa centralidade parece já perspectivar-se como válida para as literaturas em português. Com efeito, o autor de Camões supõe, pela boca do seu herói moribundo, a substituição de Portugal pelo Brasil. O «generoso Amazonas» guardaria «a língua, o nome português na terra» — sarado, é de crer, de todos os estigmas de esquecimento e ingratidão (e, suponho eu, de pequenez). id.: 123
Neste particular se denota que se ajuíza da existência ou da inexistência designada como «o Luso» sobretudo pela capacidade ou incapacidade de presença que no palco do mundo tem o seu denotado. 'Camões' é um nome que refere a presença imperial do Luso no mundo. A paráfrase de Os Lusíadas por Camões transfigura a viagem do Gama num progressivo desvelar do globo. A origem do «Luso» é coeva dessa globalização que transforma Os Lusíadas numa geo-grafia.
Tem o seu interesse que essa geo-grafia apareça no texto de Garrett também como expressão das «germanas artes», ou seja, da  tipo-grafia que o lugar-comum quer que seja o instrumento das Luzes. A tipo-grafia parece aqui a pura forma — ou antes, a forma instrumental — da cultura como reflexão. Se o Camões esforçadamente elimina a alteração temporal de Os Lusíadas, ecoando ou reflectindo em seu «verso humilde» a «voz celeste», id.: 102 a arte da tipografia, de existência suposta inalterada entre o tempo de Camões e o de Garrett, revela-se capaz de inscrever o Luso na geo-grafia universal e na eternidade, tornando-o indissociável de Camões — e dissociando-o já, diga-se, do solo pátrio e do memorial que reflecte o Luso por uns actos de piedade e de pertença, que não deixam de fora de tal sepulcro ou monumento nem sequer os «indoutos»:

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Pronto se oferece quem germanas artes
Em dar-lhe vida e propagá-lo empregue.
Doutos e indoutos com geral aplauso
Viram do novo Homero o canto insigne
Que à pátria glória monumento augusto
Sublime erguia. Soa o Brado ingente
Já pela Europa; e o nome lusitano
Ao nome de Camões eterno se une.
id.: 113

Juntando-se a acolhedora tipografia ao Amazonas acolhedor, Camões e o Luso passam a integrar a língua portuguesa. É de lembrar que ao tempo a literatura nacional se fazia a cavalo da língua nacional (e como prova bastam as notas de Garrett ao seu poema). A reflexão cultural detém-se quando se alcança a sublimação mais extrema da matéria reflectida: quando («e expirou coa pátria») todo o pátrio integra a «materialidade» da língua, provisoriamente figurável antes nas «germanas artes» do que na tipografia, antes no Amazonas do que no Brasil — e apesar de que essa dupla expiração possa corriqueiramente ler-se como uma admoestação cívica. Por um efeito de reflexão — se me atrevo, material — a minha pátria é a língua portuguesa; mas a literatura portuguesa não é mais, supõe-se do que a língua portuguesa: «regenerar a poesia» seria, por isso mesmo, «restituir a língua»15. Garrett, 1826: xxxix
O verso decoroso, muito relutante a usos modernos, reflecte a seu modo a acção cultural dessa tipografia para que encontra a perífrase das 'germanas artes'. O international style neoclássico — grosso modo circunlóquio e hipérbato — é como que um equivalente dos «factos tipográficos» na medida em que é dicção comum, não estranhável, translocal e transtemporal. É um medium evocativo, circunloquialmente tecido como uma rede de perífrases e metonímias desmaterializante, o quantum de impropriedade para ser poético e próprio — uma «deidade menor» da razão, que se supõe em acordo com o evocado. Como se testado pelo tempo, e numa espécie de reversão metaléptica, brotaria do próprio evocado. O nome 'Camões' conduz à perenidade da língua que, numa epopeia por gente interposta, se antecipou geo-grafia.
Estou perspectivando deste modo a matéria do Camões pelo avesso dos seus procedimentos diegéticos. De facto, se o medium da evocação, hoje para nós demasiado notório, se torna tão invisível, tão puro meio, como a tipografia universal, é de outro modo (não diegético) que o consegue. Tudo assenta na fulanização «romântica» de Os Lusíadas, transformados no infortúnio de Camões16. O poema é muito efectivamente um melodrama, e, como todos, regido por um «código» que produz os segredos e as intimidades da natureza humana, suscitando «simpatia» e educando para a «simpatia». O nome 'Camões' conduz  à perenidade do humano.
Neste processo tem toda a importância o leitor que deixaria de importar em absoluto como Luso. De facto, (i) ao re-produzir uns Lusíadas legíveis (ou antes, a legibilidade de Os Lusíadas), o autor transforma-se numa espécie de editor que cede ao leitor — que está sendo constância de ser Lusíadas — uma parte considerável da sua autoridade sobre o texto. Os Lusíadas assumem em Camões a forma de um conjunto de citações conhecidas (não importa que empiricamente e antes do Camões o não fossem). Camões inventa para Os Lusíadas uma continuidade de uso, e procede à sua revisão nos termos de uma prosopopeia pela qual a epopeia se torna nacional e 'Camões'. No seu novo suporte tipográfico, Os Lusíadas personalizados em 'Camões' (o ícone nacional) dependem desta leitura colectiva (imaginária) de que saem — internamente reflectida pela leitura de 'Camões' ao colectivo da corte de D. Sebastião, nas amenidades de Sintra. O texto (ii) apoia-se em várias configurações da individualidade inefável, culturalmente partilhadas e em partilha (autor, discurso que verdadeiramente sai de um íntimo, incognito, visões, reticências, segredos soturnos, túmulos, interioridades), que têm a sua melhor expressão na coincidência das figuras paradigmáticas do autor e da personagem. Camões é uma amostra da estabilidade interpretativa que se força a decorrer de uma suposta vocação da cultura para a estabilidade (para a revisão); o verso neoclássico torna-se neutralidade, naturalidade, ou invisibilidade tipográfica. Comunica sem materialidade em que tropece; e, produto da reflexão cultural, o colectivo de leitores parece ser um análogo da comunidade irreflectida que lhe teria estado na origem. Essa associação entre 'autor' e 'leitor' — tão estreita como a do 'Luso' a 'Camões' — define a poesia moderna não tanto pelo mundo, pela nação, pela língua, ou pelo túmulo ignorado do vates, como pela intimidade burguesa que se corporizou na família nuclear enquanto «código» produtor da natureza humana. Kittler, 1990 Neste sistema a saudade assume a importância que lhe advém de permitir articular o passado histórico e o presente doméstico, o público e o privado (é certo que até se transformar em sepulcro ignorado de si mesma). Lembrar-se-á, de resto, que a conversão de Os Lusíadas em biografia resumível pela Saudade da Invocação se alarga no Camões a Bernardim Ribeiro, de quem, nos ermos de Sintra, igualmente se converte a literatura em «vida romântica». A saudade, absorvendo então a soidão cf. Saraiva & Lopes, 199617: 684 ss integra decididamente a feição cultural característica do Luso na hermenêutica pessoalista assistida por aquele leitor que «produziu» o «melodrama» garrettiano. Esse «código» funcionaria também, portanto, como um modelo de compreensão do passado.
Neste ponto, é de assinalar a sujeição do verso neoclássico à dicção «natural». O verso integra hesitações da fala (ou já do pensamento), reticências, interrupções, silêncio — o entendido como sub-entendido ou pré-entendido sobre as bases de uma humanidade comum. Os exemplos seriam inúmeros:

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Novo amante mais perto… — Mas quem sabe?
Talvez… E esse talvez é de esperança
Sempre querida, sempre lisonjeira.
id.: 5

«— Rico!… Certo:
De feridas ao menos…»
id.: 9

Hoje que hemos sofrido de covardes,
Sem pejo, que nos roube a prepotência
Dos tribunais as leis, das mãos a espada…
Degenerados netos, ousaremos
Nossos livres avós taxar de bárbaros?
id.: 10

«— Aí tendes, mestre;
Poucos pardaus contém… (Menos me ficam,
Talvez nenhuns…» em tom mais baixo e trémulo,
Quase de nem se ouvir; nem certo o ouviram.
id.: 13

Tão vivas se pintavam nos semblantes
Estas ideias aos calados nautas,
Que lhas leu quem tais pensamentos
Triste não participa. — Quem é esse?
O filho melancólico da guerra.
Leu-lhas; e um sentimento quase inveja…
Não é tão baixo — e amarga, oh, mais do que ela!
Lhe trouxe do mais íntimo do peito
Um suspiro que morre à flor dos lábios
E sufocado ao coração reflecte.
id.: 16

Etc., etc., etc. À «natureza» é confiada a representação directa do afecto.
Esta poesia da intimidade, melodrama e instrumento de citações conhecidas (objectos, portanto, de conversação), ao sobrepor-se a Os Lusíadas dá-se certamente o papel de «musa e guardiã da memória colectiva da nação» Hartman, id. para, ao que nos sugere, acabar por ser a poesia e, finalmente, toda a nação como língua que lhe sobrevive — em pura geo-grafia (Amazonas) e em tipo-grafia pura. Concomitantemente, isso que se faz a Os Lusíadas não é apenas uma edição comentada, também das suas «belezas» ou dos seus «lugares selectos» (no caso da Citereia seduzindo o Pai dos Deuses — novo Retrato de Vénus — e do episódio de Inês de Castro, verdadeiras reproduções do original); é ainda uma liricização do épico, adequada a estes tempos que supostamente não são os da guerra mas os do comércio internacional. A revisão do épico é regida pelo «misterioso numen» da saudade, «voz maviosa», apoia-se subrepticiamente em formas e conteúdos do «melodrama» e dela, paradigmaticamente, brotará uma «cantata» onde o verso branco arrasta consigo, longamente, um refrão (Canto V):

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Rosa d'amor, rosa purpúrea e bela,
Quem entre os goivos te esfolhou da campa?
id.: 60 ss


O cânone moderno é aqui (antes da chegada do romance) um cânone lírico. Nem com o acrescento de Camões (e num país de poetas) o cânone da literatura portuguesa poderá voltar a ter este centro irreflectido.
Um outro irrflectido centro é 'Jau'. Estranhe-se já a caracterização como «bom selvagem» do subalterno índio do império, que o seu tanto o transforma numa Margarida Gautier (que 'Camões' também é, posto transpareça menos). É lágrimas, dedicação e natureza, como tal ingénuo desconhecedor das «convenções linguísticas».17 Não que patentemente represente o «fardo do homem branco»; apenas que, ponto de fixação do «código», só é um nome de Homem porque lho dão com o de «amigo», e não porque o reivindique ou porque lhe pese como fardo. Despojado de histórias, de dilemas e segredos — de texto, como hoje dizemos —, ao contrário de 'Camões' e de 'Garrett' que sentem dificuldades em serem humanos, nacionais, etc. e têm de sê-lo em cultura e com os materiais historicamente conformados desta, 'Jau' é naturalmente humano, senão natural como o seria a caverna de Macau. 'Jau' é um dos recursos naturais do humano para um 'Camões' que, percorrendo as vias da história planetária, está muito imperiosamente sedento deles: impondo embora ao citado os desvios da metáfora, deve lembrar-se não apenas que exige compaixão e simpatia, mas que o seu nome e glória encherão o universo.
Um universo para encher com nome e glória (e este mesmo registo em que se eufemizam as extorsões imperiais) só surge como tal pelo mesmo processo de que se originaram 'Jaus'. O 'Jau' «simpático», e nessa mesma simpatia, é aquele que os impérios do Ocidente devolveram de vários modos à «natureza» enquanto iam escrevendo o mundo. cf. Spivak, 1999
Concluamos como o poema pela morte do herói. A nação pátria merece do Garrett liberal que por ela se morra; porém, nos termos da revisão com 'Camões', temos que este, que a serve nas Índias que ela tenha, vem ao extremo de morrer com ela, não podendo morrer por ela. Este superavit simbólico é, por outro lado, um déficit de Portugal em «nação», o qual, a meu ver, provém do facto de o poder luso ter tido expressão imperial. É assim muito pertinente — textualmente pertinente — que na morte da pátria (e de 'Camões' com ela) a constituição da nação moderna por revisão cultural se veja afligida pelo imperativo de uma imagem conforme a um poder imperial. Pende sobre 'Camões' (sobre a nação lusa) a redução ao ethnos e ao ethos saudoso — a ameaça, diríamos, de ser rever em 'Jau'.18


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01
Nas Notas ao poema, 'saudade' é objecto de orgulho nacional-linguístico, único vocábulo «moderno» a que caberia traduzir cabalmente o desiderium latino. Garrett, 1825: 195-8 Lido o extracto, nota-se que a Saudade não apenas separa uma identidade colectiva de outras identidades colectivas, que a ignoram. Tece porventura a base para os exercícios sociais da electividade e da simpatia (mavioso, meigo). Sobretudo, se assim for, a Saudade que já seria herdeira imperial do desiderium representa uma comparação entre nações cujo resultado é ao Luso favorável. Como quem diga que o ethnos lusitano predispõe mais do que, v.g., o dos Sicambros — que são orgulhosos — ao entendimento cabal dos pequenos e grandes enigmas do gosto e da sensibilidade, e posto estes hajam sido inventados, entre outros, pelos mesmos Sicambros.

02
Camões e Os Lusíadas, diga-se, eram objecto de alguma (não pouca) atenção da cultura europeia, que vinha já do século anterior. França, 19932: 47 e ss Lembre-se ainda que de 1817 é a edição parisiense da epopeia, da iniciativa do morgado de Mateus, que Bontempo compusera o seu Requiem a Camões (em 1820 servirá para cultuar a memória do general Gomes Freire de Andrade), que A Morte de Camões de Sequeira (outro exilado) vai sendo executada pela mesma altura em que Garrett compõe o seu poema, e que Camões, vida e obra, tinham sido colocados por estes anos vinte no centro de muita exaltação cívica e patriótica. id.: ibid. Esta nota deve sobretudo ler-se como uma ressalva ao nacionalismo literário do Camões. O lusismo deste acto de cultura não existiria sem o contexto internacional em que «nações» se confrontam e sem efeitos de comparação. De resto, o próprio Garrett — é ele quem o escreve — não teria feito este Camões sem Byron.

03
«A nação é uma comunidade política imaginada — e imaginada ao mesmo tempo como inerentemente limitada e soberana». Anderson 19912: 6 Tem fronteiras; é o penhor e o emblema da liberdade enquanto «estado soberano», e é, como comunidade, imaginada nos termos de uma «camaradagem horizontal e profunda», tal que os nacionais estão dispostos a dar a vida por ela — como Camões. id.: 7.

04
Na nota G deste primeiro Canto Garrett reivindica o seu «gentil» para expressão de «atributos morais», como em gentileza de acção, de proceder. Ter-se-ia assim abonado com o uso antigo. Garrett, 1825: 200. Esta revisão de «gentil», como se verá, interessa aos meus argumentos.

05
Trata-se de uma expansão a todos os níveis textuais do modelo de identificação sócio-emocional — chamemos-lhe «simpatia» ou «coração» — que rege a comunicação da Razão pelos afectos. Em termos de «micro-estruturas», nota-se que o texto vem semeado de pequenos oxímoros, tal a «cordura ousada», e outras minúsculas adivinhas inseparáveis do hipérbato e da anástrofe. Como se disse já, e adiante se voltará a dizer, o interpretável estabelece-se num espaço, agora retórico, em que coincidem q.b. a sensibilidade e o «burguês».

06
Jau, depreciado como «fazenda» pelo mestre («grão valor é o escravo!»), é toda a riqueza do herói («— É meu amigo!») — e, em rigor, também a falta dela: «— Rico!… certo: / De feridas ao menos…».

07
Mas note-se que nesta igualdade impera o reconhecimento do inferior pelo superior (o burguês é Dama das Camélias que cuida de ser aceitável ao espelho de uma superioridade). É suspeitável que, via identificação e nobreza humana, o burguês ('Camões') esteja forçando o nobre a reconhecê-lo como igual.

08
Já agora acrescente-se os paços «burgueses» de Sintra, não erguidos em «roca», mas colocados na «planície tranquila». id.: 80-1 Refiro o passo porque textualmente solidário da recuperação dos versos mirandinos (carta a D. João III) que aqui promovem anacronicamente a «monarquia constitucional». Aliás, o texto acomoda esta já acomodação a outras virtudes ainda, republicano-patriarcais essas, e muito Idade de Ouro: «(…) um monarca lusitano / Que precedido vai por débeis canas, / Símbolo de brandura e singeleza / De bom pastor de povos? — Santas eras! Se pudésseis voltar, dias ditosos.» id.: 81.

09
Notável emblema o da «víscera patente», que nada deve às visões de Santa Maria Alcoque e outras. Na «fala» de Natércia assume cartas de nobreza a circunscrição do feminino às convenções da singeleza e da desafectação quais pertencem de direito à intimidade burguesa e doméstica. Natércia é das leitoras como Camões dos leitores. Mas não deixa de chocar o seu tanto a transformação da dama do paço em moça que antevê a carreira militar do seu alferes como ocasião de vencer as barreiras de estatuto que se opõem à união de ambos.

10
Na verdade, de globalização se tratará, se a esta não considerarmos como consequência ou sub-produto da modernidade e a dissociarmos da conceituação estritamente económica que frequentemente a define. Recusados estes tópicos, com os correlatos consabidos de modernização, americanismo e «imperialismo cultural», Robertson, 1999 será pertinente contextualizarmos Os Lusíadas, e no Camões, nos termos da compressão espácio-temporal que afectou o mundo como um todo, processo, entre outros, fomentador da modernidade e da mesma americanização.

11
«Nessa caverna as eternais verdades / Do grande Tien, do deus da Natureza, / Que ao Sócrates da China se amostrara». id.: 57

12
Merecedoras de atenção parece-me que sejam a afirmação imediata e irreflectida da existência (política) do «universo» em forma de «nações» e aquelas «endechas» que seriam totalmente «românticas», a não serem «cantadas» por um «vates».

13
«Bonzo» é designação de há muito tópica, satiricamente crítica do despotismo caracterizado não apenas como falta de liberdade, porém ainda como falta de Luzes. Interessa decerto que a voz seja um «orientalismo». Sinónimo dela é o «sátrapa».

14
Trata-se de escrever o mundo. Spivak 1999: 30 passim Leiam-se neste sentido as tópicas da perdurabilidade da escrita e aparentados.

15
Nas notas ao Camões vemos questionar-se e legitimar-se a poesia em termos linguísticos. Avultam, pela extensão e minudência da análise, as notas D e E das páginas 205 a 208. A poesia, difícil porque as belezas da expressão confinam com os defeitos, é uma questão de conhecimento das propriedades da língua, de «bom critério» e habituação dos mestres. Garrett, 1825: 205-6

16
Fora a vida de Camões, «alma apaixonada de ingrato destino», o que sobretudo fascinara a cultura europeia. França, id.

17
Lembre-se que Jau se considera infamado pelo nome de «amigo», por ter tido a experiência dos que, tendo nome de «amigo», procederam com seu amo em tudo ao contrário dos ditames da amizade.

18
Na verdade, se definirmos as unidades políticas pela rivalidade com outras unidades políticas (é o que faz Weber, que tem em mente a história alemã de Oitocentos), deparamo-nos no caso de Portugal com um «prestígio desprovido de poder», que consequentemente é «transformado em outras formas especiais de prestígio, especificamente na ideia de nação». Weber, 1968: 992 No caso garrettiano a revisão constitutiva da «nação» começa desde logo por ser uma forma de prestígio que compensa da falta de poder. Além do mais, o poder existiu — é mesmo dele que provém o prestígio que agora será «nação».

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Anderson, Benedict
(19912) Imagined Communities. Reflections on the Origin and Spread of Nationalism, New York-London, Verso.

França, José-Augusto
(19932) O Romantismo em Portugal. Estudo de Factos Socioculturais. Lisboa, Livros Horizonte.

Garrett, Almeida
(1825) Camões, Paris, Na Livraria Nacional e Estrangeira.
(1826) Parnaso Lusitano ou Poesias Selectas dos Auctores Portuguezes Antigos e Modernos, ilustradas com notas. Precedido de uma história abreviada da língua e poesia portugueza, Tomo I, Paris, Em Casa de J. P. Aillaud.
(2000) Camões, Porto, Porto Editora, «Biblioteca Digital. Clássicos da Literatura Portuguesa».

Hartman, Geoffrey H.
(1997) The Fateful Question of Culture, New York, Columbia University Press.

Kittler, Friedrich A.
(1990) Discourse Networks, 1800/1900, Stanford, Stanford University Press.

Robertson, Roland
(1999) Globalização. Teoria Social e Cultura Global, Petrópolis, Editora Vozes.

Saraiva, António José e Lopes, Óscar
(199617) História da Literatura Portuguesa, Porto, Porto Editora.

Spivak, Gayatri Chakravorty
(1999) A Critique of Postcolonial Reason. Toward a History of the Vanishing Present, Cambridge-London, Harvard University Press.

Weber, Max
(1968) Economy and Society, 3 Vols., New York, Bedmister Press.


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